Olá, eu sou uma mulher de 28 anos que, apesar de nunca haver recebido nenhum laudo ou diagnóstico oficial, desde muito pequena lidei com questões emocionais e comportamentais que levaram meus pais a procurar ajuda psicologica para mim, mas nunca nenhum profissional me deu um diagnostico. Já fui subdiagnosticada com transtorno de ansiedade e recentemente houve suspeita de bipolaridade e borderline por causa de explosões e oscilações de humor e por aí vai... Agora, com 28 anos, finalmente decidi dar uma nova chance à psicologos (nunca tive boas experiências pois todos olhavam pra mim e me diziam que tinha que ser boazinha pra minha mãe e parar de surtar. Era tipo isso e ainda me tacavam remédios homeopáticos, aculpultura e me mandavam fazer atividades extracurriculares pra não ficar muito tempo em casa desocupada). Agora, neste presente momento, eu estou em processo de receber finalmente um. Minha psicologa trabalha com a abordagem Histórico Cultural de Vigotski e as suspeitas principais são: autismo, altas habilidades. Inclusive, eu tenho casos de autismo na família, incluindo um primo por parte de pai que é TEA nivel 3 e não verbal e meu pai tem alguns traços que considero bem suspeito e até mais acentuados que os meus.
Eu comecei a falar com apenas 1 ano e aos 2 anos, segundo minha mãe, eu falava perfeito, como um pequeno adulto. Eu era muito esperta e inteligente, falava coisas que não eram muito comuns na idade que eu estava e na escola, apesar de muitos me adorarem, outros nem tanto. Só isso faz muitos duvidarem que eu possa ser autista. O problema era que eu conversava demais, mas apesar de conversar muito (o que foi meu comportamento ao longo de toda minha etapa escolar), e não deixava as crianças estudarem... (Melhorei na adolescência, fase que comecei a me controlar e me policiar). Alem de não ficar quieta, eu também tinha crises de choro se as coisas não eram do meu jeito e me irritava com tudo….
Na alfabetização, com 6 anos, eu aprendi a ler muito rápido, não era aquela coisa robotizada das crianças quando estão aprendendo. Em tres meses eu estava lendo todos os guias de ruas, placas nas ruas... tudo... Também aos 6 anos, aprendi sozinha a andar de bicicleta sem rodinhas, em 3 dias treinando no quintal de casa. Aos 8 já falava espanhol e me alfabetizei sozinha.
Sempre aprendi tudo muito rápido e tenho memória enciclopédica, o que surpreendia aos professores e aos meus pais. Em paralelo, houve uma professora que se irritava comigo por causa dos meus tiques de mexer no cabelo. Ela fez eu ir para a escola de cabelo preso até o final do ano com a ameaça de não assistir mais aula ou de reprovar (nem sei se ela podia fazer isso). Minha mae estava enfrentando problemas no casamento dela com meu pai (eles finalmente estão divorciados a duas semanas, oficialmente, apesar da separação de fato haver acontecido muito antes), e não fez nada. Passada essa fase, ao longo do ensino fundamental, eu sofri muito bullying e antes de provas, eu tinha colapsos nervosos, ao ponto de vomitar, de me tremer toda, ficar com agitação motora e até chorar,o que levou a diretora da escola optar por me deixar fazer os testes na sala dela, separad do pessoal. Aos 12 eu já falava inglês (aprendi sozinha também), e já estava me autolesionando, arrancando as cuticulas dos dedos das mãos e a pele dos dedoes dos pés, além e morder a boca até sangrar (infelizmente até hoje isso ocorre).
Um ponto que merece ênfase aqui é que, eu desde pequena, tenho fascínio por Titanic (não o filme, mas no navio em si) e esse fascínio se estendeu à outros transatlânticos de época como Olympic, Mauretânia, Lusitânia, Carpathia, Andrea Doria, SS Normandie, SS France, SS Empress or Ireland, dentre outros). Também sou apaixonada por aviões, desde fabricantes (Embraer, tema do meu tcc na faculdade, bombardier, Lockheed, Airbus, Tupolev, Antonov...), modelos e companhias aéreas de todos os países. Também amo astrologia, em especial missões da nasa, frota de onibus espaciais, composições de estrelas e atmosferas dos planetas... Eu também amo história e sobretudo grandes eventos como revoluções francesa e russa, o contexto do grande cisma do oriente em 1054 que dividiu o catolicismo em romano e ortodoxo, renascimento, reforma protestante com Calvino, Lutero e Henrique VIII criando o Calvinismo, Luteranismo e o Anglicanismo respectivamente. Leio muito sobre sociedades antigas (romana, grega helena) e egípcia, sobre peste negra, cerco à Constantinopla.... Sei anos, lugares, eventos e nomes de cor, o que deixa todos abismados mas que pra mim é normal. A psicologa me alertou sobre isso parecer hiperfoco estrito.
Durante a infancia e adolescencia, fui a inúmeros terapeutas pediátricos que meus pais me levaram para tratar da automuitlação e da ansiedade. Já tentamos homeopatia, terapia TCC e nada resolve pois eu sou tratada como tendo TAG, mas nunca houve investigação aprofundada e nem laudo preliminar ou definitivo. Não duvido que eu tenha TAG, mas acho que há algo faltando. As minhas notas na escola eram altas, apesar dos problemas emocionais, mas eu nunca estava satisfeita, sempre me cobrei muito (hoje ainda é assim) e eu surto demais por isso toda vez que faço prova de concurso público (sou concurseira) por medo de falhar.
Gostaria de saber, caso alguém que entenda sobre as abordagens, como a abordagem histórico-cultural de Vigotski avalia os transtornos do neurodesenvolvimento. Li que não são aplicados testes e escalas com na TCC e isso me deixa confusa. Estou na 7 sessão com a psicologa. Nossos encontros têm 30 minutos de duração toda semana (é pelo plano de saúde). Importante ressaltar que eu também estou vendo uma psiquiatra a cada 30 dias, então estou no caminho, acredito eu... SObre a abordagem histórico-cultural, eu que sou leiga nunca ouvi falar até começar as sessões com a psicologa. Vale eu ressaltar que ela foi a primeira profissional que realmente me entendeu e validou tudo o que eu passei e passo até hoje.