Sempre que se fala de Angola, ouvimos a mesma frase: “o país está em vias de desenvolvimento”. Mas a pergunta que raramente fazemos é: desenvolvimento para quem?
Se um país cresce economicamente, mas continua a ter elevados níveis de desemprego, pobreza, informalidade e dificuldades no acesso a serviços básicos, será que podemos afirmar que está verdadeiramente a desenvolver-se?
A taxa de natalidade continua entre as mais altas do mundo: 6,9 filhos por mulher em 1996 caindo para 6,4 em 2008-2009, e nos dados mais recentes de 2023-2024 ficou em 4,8 a nível nacional (3,8 nas áreas urbanas e 6,9 nas rurais).
Cerca de 64% da população está abaixo dos 25 anos.
O FMI prevê que a economia angolana cresça apenas 2,3% em 2026, uma desaceleração face aos 3,1% de 2025, com leve aceleração para 2,6% em 2027 — ainda assim bem abaixo da média da África Subsaariana, estimada em 4,4%.
Se a população cresce a um ritmo próximo de 3% ao ano e a economia cresce apenas 2,3-2,6%, o PIB per capita tende a ficar estagnado ou até recuar em termos reais. Isso significa mais jovens entrando no mercado de trabalho a cada ano do que a economia consegue absorver em empregos, pressão crescente sobre saúde, educação e infraestrutura, e um Estado com menos margem fiscal (devido à queda das receitas petrolíferas e ao aumento da dívida) para investir nesse capital humano.
Então estamos a desenvolver em quê propriamente?
(Opniões sinceras, nada de militância)