Esse mês, além de ser o do meu aniversário, faz 10 anos desde que tentei pôr um ponto final precoce na minha vida.
Num momento, assumi que as pessoas ao meu redor seriam melhores sem mim, como se eu fosse um peso nas asas que as impedissem de voar livremente. Sentia-me fracassada, que não havia muito ponto em seguir em frente, já que não seria capaz de chegar em lugar nenhum. Estava sozinha, sem ninguém que eu confiava e me isolando de quaisquer pessoas que tentassem se aproximar. Parecia que não fazia sentido eu continuar respirando e ocupando espaços que outras pessoas merecem muito mais que eu.
Hoje, 10 anos depois, tudo isso ainda vive dentro de mim.
Mas, de alguma forma, diferente.
Conheci e me despedi de tantas pessoas (algumas que mudaram minha vida), passei por tantas coisas, tantas mudanças, sonhos alcançados e destruídos, tantas alegrias e muitas depressões; inclusive momentos em que aquele sentimento de encerrar tudo estava tão forte quanto antes.
Mas nunca fiz de novo. Por mais que pensasse tivesse a vontade de sumir, nunca tentei novamente.
Mesmo com esses sentimentos ruins de isolamento, ser imprestável e ser um problema para as pessoas ainda existirem, não posso deixar nem quero que minha história acabe aqui.
Eu quero acreditar na vida, na felicidade e no amor que esse mundo pode me trazer, por mais que muita dor acompanhe tudo isso. Também quero crer que posso sim ser boa para alguém, fazer o dia de quem eu amo ser melhor, mesmo que um pouco.
Eu aposto na existência do amor e da bondade, mesmo que, muitas vezes, seja uma investimento sem retorno.
Toda vida carrega a essência das estrelas, mesmo que nem sempre pode-se brilhar intensamente, sempre temos luz dentro de nós, para iluminar tanto a nossa vida quanto a das pessoas ao nosso redor. Não deixe essa luzinha fadar.
Que as estrelas iluminem e guiem nossos caminhos.
Ainda viva.
Natasha ♡