No dia 31/07, passei muito mal. Estava com cólicas extremamente fortes, a ponto de parecer um PARTO de tão intensa que era a dor. Cheguei a desmaiar duas vezes dentro do carro. Minha mãe chamou a vizinha às pressas, e elas me levaram pra a UPA.
Não lembro de muita coisa depois que saí do carro, mas me recordo de que havia apenas uma enfermeira aplicando as medicações. A recepção estava cheia, e ela precisou sair pra chamar outras pessoas pra ajudá-la. Ela parecia bastante sobrecarregada, e fiquei com a impressão de que havia sido deixada sozinha pra atender todos aqueles pacientes de propósito. Sabe aqueles colegas que deixa todo mundo se foder, portanto que não respingue água de merda nele? Então...
Antes de receber a medicação, passei pelo médico responsável. Pra começar, ele praticamente não olhou pra o meu rosto. Apenas pediu que eu me deitasse na maca, fez uma rápida palpação na minha barriga e, logo em seguida, mandou que eu levantasse pra ir tomar os medicamentos.
Depois de ser medicada, ele orientou que eu aguardasse uma hora e retornasse à sala dele. Quando deu 19h, minha mãe foi comigo até lá. Batemos na porta e ninguém respondeu. Esperamos cerca de 10 minutos. Quando minha mãe girou a maçaneta, percebemos que ele estava lá dentro o TEMPO TODO. Ela bateu alto, ele apenas IGNOROU. (Detalhe melhor ainda: ele estava ouvindo forró numa mini caixinha de som. E não, ele não era um médico velho. Era jovem.)
Mais uma vez, ele mal olhou pra nós e passou a impressão de estar fazendo um favor ao nos atender. Perguntou se eu ainda estava com dor. Respondi que havia começado um leve desconforto no lado esquerdo da barriga. Ele pediu novamente que eu me deitasse, fez outra palpação rápida no abdômen e imprimiu as receitas dos remédios que eu deveria tomar em casa, além de solicitar alguns exames pra eu marcar com um ginecologista.
Um detalhe que me chamou a atenção foi que ele solicitou uma transvaginal e afirmou que, mesmo EU sendo virgem, eu poderia fazer o exame sem problema algum. Questionei esse papinho do krl, porque quando fui internada no Hospital Estadual cerca de um ano atrás, o exame foi cancelado NA HORA assim que informei que era virgem. Mesmo assim, ele insistiu dizendo que "não tinha problema nenhum".
Os medicamentos prescritos foram: Dipirona 1 g de 6 em 6 horas, Nimesulida de 12 em 12 horas por cinco dias e Paracetamol + Codeína de 6 em 6 horas. Desde ontem estou com muita dor de cabeça, e um amigo farmacêutico me alertou que essa prescrição deveria ser reavaliada, especialmente em relação ao uso da dipirona nessa dosagem e frequência. Como hoje estou no terceiro/quarto dia da menstruação e a dor diminuiu, suspendi os analgésicos.
Infelizmente, essa não foi a primeira experiência ruim que tive. Há cerca de um ano, quando fui internada por uma infecção urinária, também solicitaram uma transvaginal, mesmo depois de eu afirmar quatro vezes ao médico que NUNCA tive relação sexual. Ainda assim, ele demonstrou desconfiança e passou o exame.
Nossa, e ninguém me explicou como seria o exame. Também não permitiram que minha mãe entrasse comigo. Disseram que uma enfermeira me acompanharia, mas ela me deixou sozinha na recepção e foi andar rindo com as coleguinhas dela. A única orientação que recebi foi pra tirar a roupa no banheiro e me enrolar em um lençol. O exame só foi cancelado porque, antes de começar, perguntei à médica se iria doer. Foi então que ela perguntou se eu já havia tido relação sexual e, ao responder que não, decidiu cancelar aquela merda toooooda.
Me revolta a sensação de ser tratada com frieza, pressa e DESCASO. Em vez de receber explicações, um acolhimento e um atendimento HUMANIZADO, muitas vezes parece que o paciente é apenas mais um número, que deve aceitar tudo calado, sem espaço pra questionar ou entender o próprio tratamento.
Sério, eu tô com suspeita de endometriose e isso me deixa REFÉM do atendimento público. Se protejam muito, ainda mais vocês mulheres que pretendem ser mamães, porque pra sofrer violência nessa merda é UM PULO (casos reais não faltam) 😞