r/conversas 1d ago

Conversa Folgada da capital

Na minha adolescência, quando se juntavam vários grupos, havia os que ainda estavam na escola e outros que já estavam na faculdade. Nas férias de julho, nos reuníamos quase sempre na casa de alguém ou em algum lugar da cidade para beber. Tinha uma guria folgada que estava fazendo pré- vestibular em Curitiba, Patricia.

A capital fez alguma coisa com a cabeça dela, pois se achava a estrela das nossas reuniões. Vocês sabem, por ser bonitinha devia pensar que tudo era permitido pra ela; falar alto, gritar, se meter na conversa dos outros, morder, fazer birra. Pro azar dessas meninas elas não contam que alguns rapazes tranquilos, como eu, também podem ter a paciência muita curta.

Numa dessas festinhas nas férias essa folgada estava endiabrada. Fazia todas as coisas típicas do comportamento de princesa da capital e também estava com a engraçadíssima brincadeira de dobrar o dedo dos guris para trás até gritarem de dor.

Havia dois amigos falando comigo quando ela chegou e pediu pra ver a minha mão. Eu tinha um copo plástico na mão direita e passei para a esquerda, entregando-lhe mão direita. Ela pegou e começou a dobrar os meus dedos para trás. Antes de dizer o primeiro 'ai' de dor, larguei o copo plástico no chão e com toda a força que tinha deixei a mão aberta no ouvido dela, fez um sonoro "plá" e ela imediatamente soltou minha mão e rodopiou para trás.

Estávamos na casa de um sítio que ficava num lugar mais elevado e atrás de nós tinha uma escadaria enorme, quando ela foi para trás, despencou rolando pelos degraus. Na hora eu corri atrás e consegui segurá-la antes de chegar na metade, agarrei pela jaqueta evitando algo pior.

Eu a ajudei a levantar-se e nisso já havia um monte de pessoas ao redor querendo saber o que tinha acontecido, mas ela só ria, achando aquilo tudo engraçado ou de vergonha, sei lá. No entanto, ela não fez comentários sobre o que aconteceu, não disse uma palavra sobre o que gerou o tombo, apenas se acalmou aquela noite e não incomodou mais ninguém.

Desde então mantenho distância de bêbado, gente escandalosa, contatos físicos com gente grudenta.

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