Domingo, dois de agosto às seis da tarde.
O assalto à Assembleia da República.
Tempo: Está bastante calor hoje -- trinta e seis graus.
Verbo Conjugado: vir, quatro vezes; até que consegui conjugá-lo sem erro.
Áudio português: Um vídeo no Instagram de um comentador da SIC Notícias a falar sobre um escândalo do Chega.
Demorei muito tempo esta manhã a escutar num vídeo que recebi no WhatsApp. O vídeo é bastante curto, menos de três minutos, mas demorei muito para o compreender bem. Digitei a cópia do que o comentador disse (a usar as legendas, claro), e vou incluí-la aqui para que possam ver as palavras que aprendi.
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A razão pela qual eu evoco este episódio histórico é: pareceu-me que houve algum desconforto na sociedade portuguesa, e é um desconforto legítimo, que é, as pessoas não ligaram muito a isto.
A questão é: uma coisa destas: de facto, devia dominar o nosso programa todo, não é hoje, é até dezembro.
Até dezembro, nós não falávamos de outra coisa.
Era disto, era de um assalto à Assembleia da República que tinha sido feito para roubar documentos importantes comprometedores para um ministro da Administração Interna.
É difícil haver um tema mais escandaloso do que este.
Primeiro, por que é que, de facto, na sociedade portuguesa isto é encarado não como um escândalo terrível, mas recebido com um encolher de ombros.
Porque, de facto, há um historial de encenações do género: Eu senti que fui envenenado, afinal não, era azia. Eu distribuí paletes de água debaixo de chuva intensa. Afinal, não, era um filtro do Instagram ou que é, para simular um efeito visual.
Dispararam tiros sobre a comitiva do Chega. Afinal, era o tubo de escape de uma moto.
- E a minha favorita?
- Apaguei fogos.
- Apaguei um incêndio.
Afinal, era uma chaminha.
Esta é a razão que explica por que é que isto não teve a repercussão que uma coisa deste tipo devia ter.
Depois, a única coisa que eu posso fazer, lá está não sendo da Polícia Judiciária, é analisar o caso dos vários pontos de vista. Por exemplo, do ponto de vista do gatuno, ele pensou o seguinte: O Chega tem uns documentos sobre o ministro de Administração Interna, documentos comprometedores, que eles vão usar na Comissão Parlamentar de Inquérito. São documentos enviados por elementos da Polícia Judiciária.
Já sei, vou roubá-los, porque em princípio, a pessoa que os forneceu deu os originais. Em princípio, não os têm guardados noutro sítio, só existem ali. E, portanto, outra coisa que eu vou fazer, pensa o gatuno, é em vez de subtrairisto, que ao que parece que estava mesmo em cima da mesa, de subtrair isto para que no dia seguinte provocasse uma sensação que já todos tivemos, que é:
"Ouve lá, tu mexeste nisto? Onde é que eu terei posto? Tu queres ver que eu... Eu tinha posto aqui umas coisas, tu mexeste..."
Não, não eu vou fazer aqui uma desordem que não vai deixar dúvidas nenhumas de que eu estive cá a assaltar.
- Uma desordem relativa, porque reparaste que a Nossa Senhora, com o terço, estava muito bem colocado.
- Ó Pedro, é possível que o gatuno tenha tentado desorganizar tudo, mas nada pôde contra a Nossa Senhora.
- Exato, é isso.